Big Data e a vida pessoal

11
dez
2014

Por: Cezar Taurion

Recentemente descobri e li artigo muito interessante de 2010, no New YorkTimes, chamado “The Data-Driven Life”. Dá uma boa visão de como os dados podem mudar muito nossa percepção sobre nós mesmos e mesmo quebrar intuições muito arraigadas.

A partir daí comecei a pesquisar e descobrir muitas informações sobre como dados podem influenciar nosso dia a dia. Um exemplo de empresas que utilizam conceitos de Big data são os sites de relacionamento e eles fazem pesquisas interessantes que mostram como pouco a pouco os dados começam a revelar caraterísticas dos comportamentos pessoais. O Match.com, um dos mais conhecidos sites de relacionamentos,  desenvolveu algoritmo sofisticado para aproximar melhor eventuais futuros pares. Vale a pena ler o artigo “Inside Match.com”. Mas sites de relacionamento enfrentam um desafio, porque ao contrário de um algoritmo de recomendação como o da Amazon, que indica um certo livro, no site de relacionamento o livro teria que gostar de você também. A questão é que embora o Match.com tenha acesso a um grande volume de dados sobre usuários (mais de 75 milhões registrados desde sua fundação em 1995) ele não consegue “fechar o loop”, ou seja, não sabe se os relacionamentos sugeridos deram certo ou não. Esta falta de feedback dificulta enormemente o refinamento do algoritmo. Um algoritmo preditivo que consegue “fechar o loop”, ou seja, obter feedback não consegue ser aprimorado e provavelmente embute muitas falhas incorrigíveis.

Um outro ponto interessante que me chamou atenção é que embora os sites de relacionamento possam obter muitas informações, muitas não são confiáveis (alguns exageram altura ou caraterísticas pessoais consideradas positivas) e apenas constituem uma pequena parcela do total de informações que nós, seres humanos usamos na escolha de um(a) parceiro(a). Uma conclusão óbvia é que os algoritmos podem ser tão bons quanto os dados que os alimentam. Se dados críticos inexistem, os algoritmos, por mais sofisticados que sejam, são praticamente inúteis. É essencial ter um conjunto completo e válido o suficiente de dados para que os algoritmos funcionem adequadamente.

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Mas, falando em conhecer relacionamento, temos o Facebook que conhece mais sobre nós que nós mesmos…uma pesquisa feita por pesquisadores da Cornell e do Facebook se propõe a mostrar a probabilidade de um casal se separar. Vale a pena ler e um resumo . Na prática o conhecido conceito dos seis graus de separação reduziu-se com o Facebook. Um estudo mostrou que entre seus usuários o nível de separação cai para 4,74. É, o mundo está mais próximo. Em redes mais restritas, como os círculos profissionais oferecidos pelo Linkedin, o grau de separação é ainda menor.

O impacto da tecnologia, Big data e plataformas sociais no nosso comportamento e hábitos sociais não pode se menosprezado. Uma parcela significativa das pessoas passam mais tempo se socializando online que em contatos pessoais. Até onde estas tecnologias nos levarão em termos de mudanças nos nossos hábitos sociais? Dificil de dizer. Temos que lembrar que o Facebook tem apenas 10 anos (fez aniversário agora em fevereiro de 2014). Ainda é muito pouco tempo para termos uma visão mais precisa e cientifica de seus impactos na sociedade. Mas, indiscutivelmente ele impulsiona o que chamamos de capital social. Nos relacionamentos, pesquisas mostram que antes de um encontro, os envolvidos fazem pesquisas no Google um sobre o outro. É um hábito normal dos tempos atuais. Deixamos a cada instante uma pegada digital sobre o que fazemos, quando fazemos e como fazemos, pois cada vez mais estamos entranhados no mundo digital. Recomendo a leitura de um artigo interessante, “A day without data”, em que mostra que é impossível passarmos um dia sem gerar dados. E mesmo que conseguissemos, o fato de não gerarmos dados é um dados por si. Sim, já vivemos em um admirável (??!!) mundo novo!

Sobre Cezar Taurion:

Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70. Com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial, Taurion tem participado ativamente de casos reais das mais diversas características e complexidades tanto no Brasil como no exterior, sempre buscando compreender e avaliar os impactos das inovações tecnológicas nas organizações e em seus processos de negócio. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em sites e publicações especializadas como CIO Magazine, Computerwold Brasil e Mundo J , além de apresentar palestras em eventos e conferências de renome. É autor de seis livros que abordam assuntos como Open Source/Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing, Big data e Inovação. Foi professor do MBA em gestão estratégica da TI pela FGV-RJ e da cadeira de Empreendedorismo na Internet pelo NCE/UFRJ.

 

Fonte: TI Especialistas

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