Mau humor no trabalho

7COMmCarreira em TIMau humor no trabalho
22
mar
2015

por: Rodrigo Pace de Barros

É engraçado. Sempre fui uma pessoa muito analítica e racional. Tudo para mim deve ter uma lógica pela qual as coisas funcionem e se organizem. A partir disso, regras e relacionamentos poderiam ser criados e tudo vive em paz (segundo o correto funcionamento destas regras). Deve ser por isso que sempre me dei bem com TI e, também, deve ser por isso que hoje trabalho com TI.

Apesar disso, enquanto fui técnico, fui considerado bom e me destacava pela qualidade de minhas entregas. Porém, meu relacionamento interpessoal era, vamos dizer, degradado (para não falar péssimo). Eu realmente não gostava de lidar com pessoas e, de certa forma, fugia desse relacionamento. Pessoas eram complicadas e máquinas e sistemas operacionais não eram. Meu domínio técnico sobre o ambiente de TI era confortável. Já meu domínio sobre os processos de relacionamento eram fracos e meu humor ia para o buraco a cada confronto que se formava.

Por ser de difícil trato, somente meu círculo de amigos me satisfazia. Aos demais sobrava minha seriedade mal humorada.

Nesta época eu não tinha a real noção do quanto uma pessoa mal humorada poderia envenenar um par de trabalho e, por consequência, vários ambientes distintos. Na verdade cheguei a esta conclusão ao ser pessimamente atendido em uma agência bancária. Ao relacionar este péssimo atendimento, pude, finalmente ver que, infelizmente, o mal humor é contagioso, tem longa duração e não costuma ficar armazenado por muito tempo em quem o recebeu.

A situação foi a seguinte: Fui até uma agência bancária resgatar meu FGTS para amortizar um financiamento imobiliário. No primeiro dia fui muito bem atendido, porém, ao esquecer de um documento, tive que retornar no dia seguinte. Ao retornar, fui extremamente mal atendido. Dois caixas se uniram para me criticar e disseram que eu deveria me dirigir à minha agência para realizar o procedimento que foi iniciado no dia anterior. Não satisfeitos, me informaram que o banco não faria o procedimento e que eu era folgado (“brasileiro é folgado” disse o caixa). Busquei a pessoa que me atendeu no dia anterior e finalizei o processo normalmente, ao contrário do que os caixas me informaram. Ficou claro para mim a falta de respeito, péssima qualidade no atendimento e a preguiça em realizar uma função que o banco possui e é de conhecimento geral.

Apesar de ficar uns dois dias com uma sensação ruim pelo mau atendimento, pude ver que o mau humor é extremamente ruim para nossas vidas profissionais. Ao ser mal tratado, meu humor mudou imediatamente. Fiquei nervoso e irritado. Em uma situação normal, ao me deparar com um problema no meu trabalho, eu seria mais um a passar o mau humor para frente. A pessoa que o recebesse faria o mesmo, continuando o ciclo. Ou seja: mau humor tem uma ação viral sobre as pessoas e seus resultados podem durar muito se analisarmos a cadeia de pessoas afetadas por ele.

Em um contato próximo é certo que você receberá pessoas mal humoradas, uma vez que, quando você as atendeu, acabou descontando nelas seu nervosismo. Isso é ruim, não constrói traz nada de bom.

Felizmente a análise desta experiência mudou minha visão. É difícil ser o último elo desta cadeia, pois, muitas vezes, você deverá engolir o sapo (e digeri-lo). Porém os efeitos são benéficos para todos. Apesar disso, dependendo da situação, é claro que vamos estourar. É natural. Somos humanos. Porém a nossa reflexão sobre os acontecimentos já nos garantirá melhores relacionamentos no futuro. Estes bons relacionamentos serão criados a partir do momento que você passa a ser uma referência boa e não ruim no seu ambiente diário de trabalho. Seja mais constante pelo lado bom do que pelo ruim.

Pessoas mal humoradas são comuns no trabalho. Elas são, normalmente, referências ruins para os demais. Todos conhecemos pessoas assim. E todos sabemos o quanto ruim é trabalhar com elas. Também sabemos que, no final, elas sempre acabam se dando mal.

Portanto, traga de casa somente seu bom humor! Reflita sobre si mesmo e sobre como você vem tratando seus companheiros de trabalho. Fazer inimigos é péssimo, uma vez que, no futuro, você poderá precisar deles. Faça amigos e seja agradável com todos. Respeite as pessoas e faça seu trabalho da melhor forma possível.

 

Sobre Rodrigo Pace de Barros:

PMP Possui 12 anos de experiência em projetos de Segurança de TI e ambientes de missão crítica em empresas de grande porte. É formado pela Unesp de São José do Rio Preto e possui MBA em Gestão de TI pela FIAP. Colunista em diversos portais de TI e Gestão de carreiras, palestrante, instrutor e assessor de carreiras especializado em TI.

Fonte: TI Especialistas

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