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Se a Inteligência Artificial já é realidade hoje, como será o amanhã?

“Os próximos desafios e oportunidades da inteligência artificial serão críticos para a construção de um amanhã mais justo e inclusivo. Evitar regulações danosas e potencializar os impactos positivos da tecnologia começa com debates aprofundados sobre seus riscos e benefícios”. Esta frase usada pelo diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), Ronaldo Lemos, resume um pouco do que foi debatido durante o Simpósio Global: Inteligência Artificial e Inclusão, realizado na semana passada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

O evento, que também contou com a participação do Berkman Klein Center, da Universidade de Harvard, reuniu pesquisadores de mais de 40 países com o objetivo de mapear as oportunidades e desafios das novas tendências tecnológicas e descobrir alternativas sobre como a inteligência artificial pode nos ajudar a construir um amanhã melhor.

A constatação de que é preciso urgência no estudo do tema é bastante clara para os especialistas que participaram do evento. No resumo de sua apresentação, Abreu de Paula, da IBM, por exemplo, declarou que “a inteligência artificial já está entre nós. A sociedade é cada vez mais mediada e afetada por essa tecnologia, só que ao invés de uma realidade povoada por robôs ou ciborgues, a inteligência artificial que transforma nossas vidas é muitas vezes invisível”, disse.

Neste sentido, um dos alertas mais importantes foi feito pela mestra em psicologia pela Universidade da Basileia, Suíça, Sandra Cortesi. Ela estuda a relação de crianças e jovens com as tecnologias digitais e mídias sociais no Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard.

Ela ressaltou que cada vez mais a inteligência artificial molda o que os jovens veem, com quem eles se envolvem ou como aprendem. Por isso é fundamental implementar políticas e proteções adequadas para garantir que as novas tecnologias promovam inclusão, diversidade, bem-estar, participação cívica, pensamento crítico, e expressão criativa.

Em uma entrevista para o jornal O Globo, Cortesi afirmou que claramente a Inteligencia Articial tem e terá um impacto cada vez maior no desenvolvimento de algoritmos que já estão influenciando fortemente as informações que vemos nas mídias sociais, como no Facebook. Segundo ela, este processo vai se intensificar afetando não só os jovens como os adultos.

“Precisamos discutir se queremos que estes algoritmos sejam definidos de uma maneira que tenha um resultado positivo para sociedade, como, por exemplo, se devem ser justos e inclusivos, levando em conta questões como a diversidade etc. Isso é algo que ainda não vemos muito, então há muito espaço para melhorias. Além disso, os algoritmos precisam ser mais transparentes. Precisamos saber como eles “escolheram” as informações que estão nos apresentando, como eles foram criados, quais são seus parâmetros. Assim, mais à frente teremos mais o que dizer sobre o que vemos e como estes algoritmos são criados. Idealmente, no futuro as pessoas poderão opinar quanto ao design e a implementação destes algoritmos baseados em Inteligência Artificial”, explicou.

Claramente, falar sobre Inteligência Artificial deixou de ser uma necessidade apenas para cientistas, estudantes e homens de negócio. Muito mais importante do que dar lucro, reduzir custos, agilizar processos e uma série de outros benefícios, o fato é que o avanço desta tecnologia vai impactar cada vez mais diretamente sobre o tipo de sociedade que teremos. Ou seja; se queremos programar um futuro melhor, a hora é agora.