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A marcha do Blockchain avança acelerada em 2018

No mercado financeiro, no varejo, na logística em praticamente todos os segmentos da economia surgem notícias quase que diárias sobre projetos desenvolvidos em Blockchain em fase de implantação. Desde órgãos ligados ao governo em suas mais variadas formas de prestar serviços ao cidadão, até a iniciativa privada em sua eterna busca por conquistar o cliente, todos estão descobrindo como a nova tecnologia pode acelerar o alcance de seus objetivos.

Diante deste quadro, as previsões são otimistas. Segundo um estudo divulgado recentemente pelo IDC, os gastos mundiais em soluções de Blockchain chegarão a US$ 2,1 bilhões em 2018, número mais do que duas vezes superior aos US$ 945 milhões registrados em 2017. A consultoria estima que os investimentos cresçam em ritmo acelerado até 2021, chegando a  US$ 9,2 bilhões e registrando então uma taxa de crescimento anual de 81,2%.

Ainda como previsto, o setor financeiro vai liderar a demanda investindo (US$ 754 milhões em 2018), em especial, os bancos. Movimentações como a do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), parecem confirmar estas expectativas. No final de fevereiro a instituição anunciou uma parceria com o KfW, o banco de desenvolvimento alemão, para promover a cooperação entre as duas instituições no aprimoramento do software TruBudget, desenvolvido em Blockchain. O acordo seria fruto da troca de experiências que o BNDES vem tendo com empresas, centros de pesquisa e instituições financeiras que se dedicam desenvolvimento da tecnologia Blockchain.

A ferramenta foi desenvolvida pelo KfW para aprimorar a transparência e a eficiência no uso de recursos públicos que financiam o desenvolvimento. Trata-se de uma ferramenta de fluxo de trabalho que utiliza uma Blockchain privada, e não pública, como a do bitcoin.

Até maio, o BNDES fará um teste-piloto do aplicativo no Fundo Amazônia. O Fundo, que é gerido pelo BNDES, tem o banco alemão como um dos doadores e realiza operações financeiras não reembolsáveis, que são o foco do memorando.

Ainda de acordo com o estudo do IDC, o setor de distribuição e serviços também verá fortes investimentos na nova tecnologia (US$ 510 milhões em 2018) nas indústrias de varejo e serviços profissionais. Neste caso um dos indícios de precisão na análise vem do Carrefour.

A empresa desenvolveu em parceria com a IBM e a rede de alimentos BRF o projeto “Food Tracking”, que consiste no rastreamento dos produtos por meio de Blockchain. O objetivo é que o consumidor tenha acesso, de maneira simples e objetiva, à procedência dos alimentos, considerando todas as etapas do negócio: produtiva, comercial e logística. A ideia é que a partir da leitura de um QR Code afixada na embalagem, os consumidores possam ter acesso a informações detalhadas das etapas de produção, distribuição e disponibilização do produto na prateleira do varejo.

Em uma reportagem publicada pelo portal Convergência Digital, a diretora do programa Customer Insights and Analysis na IDC, Jessica Goepfert afirmou que há uma grande variedade de novos casos de uso potencial para Blockchain, pois as transações e os registros são a força vital de quase todas as organizações.

Enquanto isso, na mesma matéria, o diretor de pesquisa da Worldwide Blockchain Strategies, Bill Fearnley Jr., comenta que muitos fornecedores de tecnologia e prestadores de serviços estão colaborando e trabalhando com consórcios para desenvolver soluções inovadoras que melhorem situações como processamento pós-negociação e rastreamento de embarques na cadeia de suprimentos e registros de transações para auditoria e conformidade. “Além disso, vários reguladores e bancos centrais fizeram comentários positivos sobre Blockchain, e isso ajudará a acelerar a demanda em setores regulados, como serviços financeiros e serviços de saúde”, completa.

E assim, de passo em passo, só que bem acelerados, a marcha do progresso do Blockchain avança transformando já em 2018 aquilo que se dizia apenas como possibilidade em realidade.