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Inteligência Artificial “real” ainda não é a Inteligência Artificial “ideal”

Apesar do consenso de que o uso de técnicas de Inteligência Artificial em larga escala já não é mais uma perspectiva de futuro e sim um fato, alguns especialistas acreditam que o modelo desta tecnologia disponível atualmente ainda não seja o ideal para a sociedade. Esta foi uma das afirmações feitas durante o “AI View – Inteligência Artificial: para onde vamos?”, evento realizado pela Cantarino Brasileiro no final de março em São Paulo.

Em sua apresentação, o professor titular da Escola Politécnica da USP, Fabio Glagliardi Cozman, afirmou que ainda faltam estudos sobre o significado social e filosófico desta IA que já nos rodeia. Ele se referiu especificamente aos seus riscos, seu impacto e seus benefícios. Segundo sua avaliação, uma observação mais cuidadosa sobre estes aspectos evitaria receios infundados e problemas reais. Cozman acrescentou que falta ampliar o volume de aprendizado através da maior capacidade de compartilhamento e processamento de dados, além de aumentar o aprendizado de modelos e teorias de alto nível.

Outra preocupação do professor é com relação ao papel do Brasil num cenário econômico mais definido pelo uso da Inteligência Artificial. Ele explicou que a maior parte da análise existente sobre o assunto atualmente parece focar em países desenvolvidos com grande influência da crise financeira de 2008. Desta forma os países em desenvolvimento ficariam sob o risco da política que ele chamou de “Vencedor-leva-tudo” na qual os países com capital ou conhecimento são “superstars” deste processo.

Para se prevenir contra essa situação, o especialista listou necessidades como o desenvolvimento de novas formas de educação, novo foco, nova Infraestrutura de propriedade intelectual e empreendedora e mais pesquisa sobre as consequências da Inteligência artificial em nosso país.

O encontro teve a participação ainda de nomes como Anderson Soares, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás e Cientista chefe da Data-H Ciência de Dados, Cezar Taurion, Sócio e Head de Digital Transformation da Kick Ventures; Henrique Albuquerque, gerente de Inteligência Artificial do Bradesco; Jaqueline Weigel, futurista, humanista, mentora de Inovação Disruptiva e Liderança Exponencial e Patricia Peck, especialista em Direto Digital, autora de 18 livros.

Peck chamou a atenção para o fato de a legislação brasileira ainda não ter uma lei de proteção de dados pessoais. Segundo ela, existem dois Projetos de Lei em tramitação para regular essa questão (o PL 330/2013 e o PL 5276/2016).  Sua estimativa é de que a aprovação deles deve sair somente em 2019.

Ela orientou os empreendedores interessados em trabalhar com IA a verificar o nível de proteção técnica e jurídica do uso de novas tecnologias nos processos de negócios (Parecer de análise de Risco Digital – DUE DILLIGENCE DIGITAL).

Enquanto isso, Cezar Taurion, deixou uma frase que resume a importância dos estudos sobre a Inteligência Artificial: “Nos próximos 20 ou 30 anos não teremos apenas uma nova geração, teremos uma nova civilização” disse.